mercoledì 27 novembre 2013

Murilo Mendes - MONDO ENIGMA. Dieci poesie / MUNDO ENIGMA. Dez poemas






Murilo Monteiro Mendes. Poeta brasiliano, nato a Juiz de Fora il 3 maggio 1901, morto a Lisbona il 18 agosto 1975. È una delle figure più singolari e più note della fase di alta maturità del “modernismo” brasiliano, movimento sorto in S. Paolo nel 1922 e a cui Mendes aderì con le prime opere, Poemas (1930) e História do Brasil (1932).
A partire da Tempo e eternidade (1935, in collaborazione con J. de Lima) e sotto l’influsso della sopravvenuta conversione al cattolicesimo, la poesia di Mendes si definì in modo originale come punto di confluenza tra la tradizione barocca iberica e il surrealismo francese, toccando temi di attualità, fortemente trasfigurati, o motivi metafisici, in un gusto dell’astrazione geometrica che lo distacca nettamente dai suoi più eloquenti coetanei. A poesia em pânico (1938), O Visionário (1941), As metamorfoses (1944), Mundo enigma (1945) sono le raccolte in cui si condensa questa fase della sua lirica, con frequenti riferimenti alla pittura (De Chirico, Picasso, Ernst) e alla musica (Mozart, i balletti russi). L’opera riassuntiva di tale maniera può essere considerata Poesia liberdade (1947), dove il dolore e la pietà cristiana, l’orrore per i crimini del nazismo, il senso della guerra come apocalisse terrena, raggiungono accenti di una grande purezza. Un ritorno alla metrica tradizionale è visibile in Contemplação de Ouro Prêto (1954), pellegrinaggio religioso alla regione natale. Ma col trasferimento in Europa - dal 1957 in poi Mendes visse a Roma, docente di letteratura brasiliana alla facoltà di lettere - s’inizia un nuovo corso che da libri di “poesia della cultura” (Siciliana, 1959; Tempo espanhol, 1959) muove verso soluzioni di spericolata avanguardia (Convergência, 1970). Negli ultimi volumi, dove spesso predomina la prosa (Poliedro, A idade do serrote, ecc.), Mendes ripercorreva il cammino della memoria o forniva lampeggianti ritratti di figure del passato e del presente. In Italia Mendes esercitò la critica d’arte, ebbe amici e traduttori tra i quali G. Ungaretti, e vinse nel 1972 il premio internazionale Etna-Taormina. Il suo libro postumo di poesie Ipotesi (1977) fu scritto direttamente in italiano. In Italia esistono due antologie poetiche di Mendes a cura di R. Jacobbi, Poesie (Milano 1961) e Poesia libertà (ivi 1972); alcune raccolte complete in edizione bilingue, Siciliana (Caltanissetta 1959), Finestra del caos (trad. di G. Ungaretti, Milano 1962), Le metamorfosi (ivi 1964); Mondo enigma (Torino 1975); e liriche tradotte nelle antologie di R. Spinelli (Croce del sud, 1954), M. La Valle (Un secolo di poesia brasiliana, 1958), R. Jacobbi (Lirici brasiliani, 1960; Poesia brasiliana del novecento, 1973).
Bibl.: L. Stegagno Picchio, La letteratura brasiliana, Milano-Firenze 1973; R. Jacobbi, introd. a Poesie. Le metamorfosi, Poesia libertà, Mondo enigma, citt.; L. Stegagno Picchio, introd. a Ipotesi, cit., Milano 1977; C. V. Cattaneo, in L’Albero, n. XXVIII, 1977.

[Ruggero Jacobbi in: Enciclopedia Italiana - IV Appendice (1979), http://www.treccani.it/enciclopedia/murilo-monteiro-mendes_(Enciclopedia-Italiana)/]




Nota per il lettore:
i versi di seguito pubblicati sono tratti dal libro:
Murilo Mendes, MONDO ENIGMA, introduzione di Ruggero Jacobbi, 
traduzione di Carlo Vittorio Cattaneo, Einaudi, Torino, 1976.





Tobias e o anjo 




Eles já caminharam muito 

Ao som das trombetas pascais, 
Mergulhando nas árvores 
Que de perto são verdes 
Mas têm uma profundidade azul. 

Já o grande Peixe investiu contra o moço dançarino.

Já deixaram atrás os muros de Ecbatana
E o perfil de Sara:
O vento varre as omoplatas da pedra.

Da castidade dos sinos 

A noite agora surgiu. 
O moço caminha só 
Nas avenidas desertas.


2


Ó demônio moderno, áspero anjo,

Que pretendes enfim que eu te anuncie?
Ao fim dos sinos já encontramos a noite clássica,
E o profundo buquê de nuvens nos acena.

Nunca estaremos sós: pássaros e máquinas, 

Vegetais marchando, espíritos desencadeados 
Serão para sempre nossos cúmplices.

Do pálido asfalto 

Se levanta a morte.
 Jamais te encontrarei, 
Adeus, invisível mundo. 





Diurno cruel 





Servida a sinfonia, poderíamos nos sentar. 

Cruel é o azul: de um buquê de vidas 
Surge a guerra. 

Sinistro panejamento…

Todos pisam em crianças que foram. 




Miséria, diamante azul, abandono. 

Flores despojadas da vida essencial: 
Ai que o pensamento da guerra 
É para impedir a sede
                 E acelerar
                 A crucificação. 





Emaús 



Sempre és o hóspede – nunca és o rei. 

Muito mais derrotado que vitorioso. 
Quando chegas e bates ao meu coração 
Eu não te reconheço – há luz demais – 
Debruço-me sobre as gravuras do caminho. 
Quando te afastas – acompanhado pelo peixe azul – 
Quando as formas se movem como num aquário, 
Então eu levanto enternecido a lanterna 
E logo começo a desejar que voltes, 
Fascinado pela tua obscuridade





Vida de aço 





Livres – até do amor – 

Prodigiosamente sós 
Digo-te: sem véu
Sem mêdo do terror 
Em face à segunda morte 
É preciso esperar 
A transmutação dos elementos. 
(Como dois sonhos justapostos). 




Nunca o espírito repousará. 

Dança, lei de um e de todos. 
O fim igual ao princípio: 
Aí nossa visibilidade começa





O pensamento descalço 



Terribilíssimos dedos 

Desdobram vidas paralelas 
De sangue mordaça e lágrimas. 

O enorme monumento de ódio atinge as nuvens. 

O mundo envenenado 
Sitia meu corpo exausto 
Sem que até agora se distinga 
O eco das trombetas vingadoras. 

O Criador nos abandona à nossa própria sorte, 

Recusando as hóstias profanadas





A mulher visível 



Algo de enigmático e indeciso 

Durante anos existiu entre nós, 
Uma antemanhã de amor, uma vida sem marco. 

Amavas Vermeer de Delft, os gatos e as mazurcas. 

Sempre estiveste à espera da doçura, 
Mas veio a violência em rajadas, 
Vieram o pânico e a febre. 

Não te pude ver doente nem morta: 

Recebi a obscura notícia 
Depois que as roseiras começavam a crescer  
Sobre tua estreita sepultura. 

Hoje existes para mim 

De uma vida mais forte, em plenitude, 
Daquela vida que ninguém pode arrebatar 
– Nem o tempo, nem a espessura, nem os anjos maus 
Que torturaram tua infância árida. 

Hoje vives em mim 

Com a doçura que sempre desejaste: 
Alcanças enfim tua visibilidade





Nihil 



Profundo penoso 

Das nuvens do inferno 
Surgiu meu destino. 

Grandeza não tive, 

Nem jeito pra vida. 

Nesta noite maquinal, 

Ouvinte apenas da guerra, 
Sem passado nem futuro, 
Odiando o presente, 
Me encontro face a face 
Com a estátua do pó, 
À toa, esperando 
A mão do Criador 
Finalmente me abater





Lamentação 



Nenhum homem tem mais saída: 

Antes de nós o dilúvio. 
Durante, o tédio no caos, 
Depois o épico escuro. 
A esperança desespera, 
Os olhos não são para ver 
Nem os ouvidos para ouvir. 

O diálogo virou monólogo, 

Meio-dia é meia-noite. 
Todos curvados constroem 
Suas próprias algemas. 
O longo ai das criaturas 
Sobe para o céu 
Forrado de espadas





Fantasia 





Anjo que precisa de outro anjo,

Espírito que vai anunciar 
E ao mesmo tempo espera ser anunciado. 

Anjo que segura a palma de seus braços 

E se contempla, desdobrando-se ao espelho, 

Anjo felino… que desconcerto entre sua forma e sua fôrma! 


Regressa com as órbitas vazias 

Até que possa conhecer-se um dia. 




És de espuma e sêda, 

És ao mesmo tempo centelha, 
Forma futura do que adivinhei em sonho. 

Observo eternamente 

O horizonte convexo 
Espiando chegares 
                               desdobrada em asa. 

Se me amasses 

Eu me transformaria no que sou





Poema simples 


  



Na feitura do teu ser 

Natureza e arte porfiaram. 

Alguém deve te decifrar: 

Que, puro amor, seja eu. 
Talvez também me decifres, 
Me faças voltar ao princípio, 
E nos encontremos os dois. 

Sentado na varanda do abismo 

Me encontro agora: pelos teus cabelos 
Hei de me fixar à terra. 




Pura chama coração desconhecido 

O desejo de me absorver em ti 
De nada deixar para as outras, 
O cansaço da mentira, o sonho azul: 

Eis Maria da Lucidez o que me move 

Eis o que vem ágil voando 
Trazido pelos elementos do ar 
Até os teus campos de cristal e fogo.

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Tobia e l’angelo 




Essi hanno già molto camminato 

Al suono delle trombe pasquali, 
Tuffandosi tra gli alberi 
Che sono verdi vicino 
Ma hanno un’azzurra profondità. 

Già il grande Pesce ha assalito il giovane ballerino. 

Già dietro hanno lasciato i muri di Ecbatana 
E il profilo di Sara: 
Il vento spazza le spalle della pietra. 

Dalla castità delle campane 

Ora la notte è sorta. 
Il giovane cammina solo 
Per i viali deserti. 




O demonio moderno, angelo aspro, 

Cosa pretendi infine che io ti annunci? 
Alla fine delle campane incontriamo già la notte classica, 
E il profondo bouquet di nubi ci fa cenno. 

Non staremo mai soli: uccelli e macchine, 

Vegetali in marcia, spiriti scatenati 
Saranno per sempre nostri complici. 

Dal pallido asfalto 

Si leva la morte. 
Giammai ti troverò, 
Addio, invisibile mondo. 





Diurno crudele 





Servita la sinfonia, potremmo sederci. 

L’azzurro è crudele: da un bouquet di vite 
Sorge la guerra. 

Sinistro drappeggio… 

Tutti calpestano i bimbi che furono. 




Miseria, diamante azzurro, abbandono. 

Fiori spogliati della vita essenziale: 
Ahimè il pensiero della guerra 
È per impedire la sete
                 E affrettare
                 La crocifissione. 





Emmaus 



Sempre sei l’ospite – giammai il re. 

Sconfitto molto più che vittorioso. 
Quando tu arrivi e batti al mio cuore 
– C’è troppa luce – io non ti riconosco, 
Mi chino sopra le incisioni del sentiero. 
Quando tu parti – accompagnato dall’azzurro pesce –  
Quando le forme si muovono come in un acquario, 
Allora io levo intenerito la lanterna 
E subito comincio a desiderare che torni, 
Affascinato dalla tua oscurità





Vita di acciaio 





Liberi – perfino dall’amore – 

Prodigiosamente soli 
Ti dico: senza velo 
Senza paura del terrore 
In faccia alla seconda morte 
Bisogna aspettare 
La trasmutazione degli elementi. 
(Come due sogni giustapposti). 




Mai riposerà lo spirito. 

Danza, legge di uno e di tutti. 
La fine uguale al principio: 
Lí comincia la nostra visibilità





Il pensiero scalzo 



Terribilissime dita 
Sdoppiano vite parallele 
Di sangue bavaglio e lacrime. 

L’enorme monumento d’odio raggiunge le nuvole. 
Il mondo avvelenato 
Assedia il mio corpo esausto 
Senza che finora si distingua 
L’eco delle trombe vendicatrici. 

Il Creatore ci abbandona alla nostra stessa sorte, 
Rifiutando le ostie profanate





La donna visibile 



Qualcosa di enigmatico e indeciso 
Per anni è esistito fra noi, 
Una prim’alba d’amore, una vita senza confini. 

Amavi Vermeer di Delft, i gatti e le mazurche. 
Hai sempre aspettato la dolcezza, 
Ma a raffiche è venuta la violenza, 
Son venuti il panico e la febbre. 

Non t’ho potuto vedere malata né morta: 
Ho ricevuto l’oscura notizia 
Quando già cominciavano a crescere le rose 
Sulla tua stretta sepoltura. 

Oggi esisti per me 
Di una vita più forte, in rigoglio, 
Di quella vita che nessuno può strappare 
– Né il tempo, né lo spessore, né gli angeli malvagi 
Che hanno torturato la tua arida infanzia. 

Oggi vivi in me 
Con la dolcezza che hai sempre desiderato: 
Raggiungi infine la tua visibilità. 





Nihil 



Profondo penoso 
Dalle nubi dell’inferno 
È sorto il mio destino. 

Non ho avuto grandezza, 
Né attitudine alla vita. 

In questa notte meccanica, 
Solo ascoltatore della guerra, 
Senza passato né futuro, 
Odiando il presente, 
M’incontro faccia a faccia 
Con la statua della polvere, 
Allo sbaraglio, aspettando 
Che la mano del Creatore 
Finalmente mi abbatta





Lamento 



Nessun uomo ha più scampo: 
Prima di noi il diluvio. 
Con noi, il tedio nel caos, 
Dopo noi l’epico buio. 
La speranza dispera, 
Gli occhi non sono per vedere 
Né gli orecchi per udire. 

Il dialogo si cambiò in monologo, 
Mezzogiorno è mezzanotte. 
Tutti costruiscono curvi 
Le proprie catene. 
Il lungo gemito delle creature 
Sale verso il cielo 
Foderato di spade





Fantasia 





Angelo che ha bisogno d’altro angelo, 
Spirito che sta per annunciare 
E aspetta al tempo stesso d’essere annunciato. 

Angelo che sostiene la palma delle sue braccia 
E si contempla, sdoppiandosi nello specchio, 

Angelo felino… che contrasto tra il suo aspetto e la sua indole! 

Ritorna con le orbite vuote 
Finché possa conoscersi un giorno. 




Sei di spuma e di seta, 
Sei al tempo stesso scintilla, 
Forma futura di quel che ho previsto in sogno. 

Osservo eternamente 
L’orizzonte convesso 
Spiando che arrivi 
                              sdoppiata in ala. 

Se mi amassi 
In quel che sono mi trasformerei





Poema semplice 





Nell’esecuzione del tuo essere 
Rivaleggiarono arte e natura. 

Qualcuno ti deve decifrare: 
Puro amore, che sia io. 
Quand’anche mi decifri, 
Mi fai tornare al principio 
E tutt’e due ci troviamo. 

Seduto alla veranda dell’abisso
Mi incontro adesso: con i tuoi capelli 
Devo fissarmi alla terra. 




Pura fiamma cuore sconosciuto 
Il desiderio di esaurirmi in te 
Di non lasciar niente alle altre, 
Stanchezza di bugie, azzurro sogno: 

Ecco ciò che mi spinge Maria della Lucidità 
Ecco ciò che viene agile volando 
Portato dagli elementi dell’aria 
Fino ai tuoi campi di cristallo e fuoco.  

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       « [...] La poesia di Murilo è la più vicina all’esperienza europea del Novecento, non per ricalco di moduli, ma per effettivo e continuo assorbimento culturale, che lo ha portato poi a vivere in Europa senza smettere di essere brasiliano ma sentendosi perfettamente a suo agio e lasciando a nostro agio anche noi, facendoci sentire cittadini di una stessa comunità occidentale di eretici e di evocatori. Ciò che Breton ha tratto dal fondo dell’eros francese, Trakl dall’immemorabile ontologismo germanico, Pasternak dall’ossessione slava della charitas, Pound dal sogno americano della giustizia che strangola il danaro, Guillén dall’estasi sacrificale della hispanidad, Murilo lo ha costruito a poco a poco attraverso frequentazioni letterarie e personali (di poeti e di pittori, di musici e di filosofi) che non sono mai diventate una via all’enciclopedismo, al cosmopolitismo mondano, ma una continua verifica della sua natura di poeta apocalittico. E va inteso che «apocalittico» significa al tempo stesso storico e metafisico; e che storica e metafisica, a un tempo, è la poesia di Murilo in quanto confessione di un uomo del secolo xx con gli occhi sempre aperti sulle tragedie della polis, e in quanto desolazione o speranza del cristiano senza dogmi e capace di dialogare con lo spettro, con l’Altro, col fondamento ipotetico, o soltanto inconscio, dell’Essere. I modernisti di San Paolo avevano rinnegato, insieme all’impettita civiltà parnassiana, anche la dispersiva contestazione simbolista, ma Murilo a suo modo ne rivendica l’importanza e cosi facendo toglie al modernismo quella caratteristica di negazione del passato che è sempre prova di infantilità, anche se coincide con momenti necessari di evoluzione del linguaggio. Si sente, leggendo ad esempio la sua Contemplação de Ouro Prêto, quanto deve essere stata importante per lui ragazzo la presenza di un Alphonsus de Guimarães, anche se la sua poesia è andata per tutt’altra strada. E viceversa, leggendo i suoi testi più vicini al surrealismo, come Os quatro elementos o questo Mundo enigma, quanto sia lontano da lui quel margine di eleganza mondana o di gioco che è sempre presente anche nei più azzardosi fra i modelli francesi, e che per Murilo è sostituita dall’invadenza della persona poetica, che vuol rimanere lucida e responsabile proprio nel momento in cui tenta la sua discesa nell’inferno della notte e del nulla, per andarvi a ripescare l’oro di una fede. Per Murilo il mondo è antico e futuro, il presente si dissolve nella violenta compresenza delle rivelazioni offerte ad ugual titolo dalla cultura e dal presagio; lo stesso Dio di cui parla appartiene alla mitologia del Novecento, è quello di cui Pessoa o Hart Grane o il nostro Onofri andavano a ricercare le tracce in sentieri teosofici o antropologici, ma è allo stesso tempo il Dio cattolico della tradizione iberica, interrogato nella difficoltà tragica del suo rapporto con l’uomo: è la continua attesa di un riscatto. Sicché la poesia di Murilo rimane «profana» quanto più è, nel fondo, religiosa: rimane una poesia dell’amore (si vedano qui, in Mundo enigma, le infinite varianti del madrigale per Maria della lucidità) e poesia della speranza amara, della speranza quasi impossibile, nutrita da un antifascista nei primi e più tremendi anni della seconda guerra mondiale, e che appunto si rimette a Dio non perché consideri vani gli sforzi degli uomini, ma per dare a questi sforzi, cosi sanguinosamente frustrati dalla dilagante invasione hitleriana, la dimensione trascendentale del Disegno occulto e della Salvezza. L’eros, il paesaggio, gli oggetti stregati del quotidiano, tutto appartiene all’enigma: e tutto l’enigma si risolve in limpida attesa, anzi in tensione. Straordinario è l’equilibrio che, nella sua ascetica economia di parole, Murilo riesce a stabilire fra diario fondato sugli eventi quotidiani e poema svincolato da ogni occasione, congelando in nature morte braquiane o in éventails mallarmeani la più umile prosa del colloquio, della dedica, del saluto. E a volte le figure erompono da un fondo ancora più denso e misterioso; è allora che la tradizione del barocco lo aiuta a ricomporre in geometria il caos delle immagini, perché in lui l’apprendista stregone non ha più paura del disordine, possiede tutti gli strumenti dell’esorcismo, e il primo è la sua stessa intemerata coscienza, con quel tanto di furore astratto e donchisciottesco che egli riesce continuamente a trasformare in netto gesto estetico, in asettico organismo verbale.
       Tanto accanimento sulla forma si rivela, alla fine, una sottile maniera di obbedienza alla vita: gli imprevisti, il disordine, il mondo presente sono pur sempre la materia di questa poesia, ma nella mano che la compone c’è il presentimento elettrico dell’ordine, la forza magnetica che distribuisce i legami e si ricollega a ciò che Murilo sente come mistero e finalismo del cosmo. Del resto egli l’ha detto in una riga decisiva del suo Discepolo di Emmaus: «L’uomo è un essere futuro. Un giorno saremo visibili». La coincidenza fra questa ipotesi metafisica o religiosa, e l’effettiva costruzione di un mondo della libertà e della spontaneità, è la scommessa folle di Murilo: e fa si che questo libro di più di trent’anni fa assomigli in modo singolare alle proposte culturali di molti giovani d’oggi; anche se in essi predomina il viscerale, il magmatico e Murilo continua a tener fermo sulle posizioni dell’intelligenza. Non si nasce a caso nell’orizzonte fra Divagations e Propôs e Rhumbs, anche l’irrazionale chiede un taglio cartesiano o una geometria cubista. Ma anche questo è un presagio: perché, cristiana o no, la rivolta per farsi rivoluzione dovrà pur sempre, prima o poi, rivelarsi come nuova soluzione del conflitto apollinairiano fra «Ordre» e «Aventure», conflitto che era all’origine dello stesso modernismo brasiliano e che riporta il nostro discorso, come un anello, al luogo del suo principio. »

RUGGERO JACOBBI [dalla Prefazione a Mondo Enigma, Op. cit.]









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venerdì 22 novembre 2013

Danilo Dolci - Da CREATURA DI CREATURE. POESIE 1949-1978 — post γάμμα




Danilo Dolci, imputato al processo di Palermo 
[ v. archivio fotografico “Dolci Danilo, varie digiuni processo”, 
in: “L’Unità – L’archivio storico. La memoria in rete”: 




Terzo “incontro” con Danilo Dolci 


A Danilo Dolci, alla sua opera poetica, alla sua vicenda di costruttore di pace, educatore, sociologo, scrittore, uomo fra gli uomini, è ulteriormente dedicato questo post γάμμα, il terzo, dopo i post  άλφα e βήτα

— Il post  άλφα è utile sia per leggervi alcune delle poesie di Dolci sia per le notizie bio-bibliografiche e i vari riferimenti riguardanti la sua scelta di vita e la sua opera. Per accedere al post άλφα clicca qui. 
— Il post βήτα riporta integralmente l’arringa pronunciata in difesa di Dolci e dei suoi “complici” da Piero Calamandrei il 30 marzo 1956 al cosiddetto processo di Palermo. Per accedere al post βήτα clicca qui. 

Buona lettura. 
A. C. 




Nota per il lettore:
i versi di seguito pubblicati sono tratti dal libro:
Danilo Dolci, CREATURA DI CREATURE - Poesie 1949-1978
prefazione di Mario Luzi, Feltrinelli, Milano, 1979.






È possibile che quel fantasma, quel punto di fuga, quell’ipotesi che vengono chiamati poesia, siano anche fisicità e globalità di un’azione capace di effondersi, smuovere, divincolarsi en­tro la compattezza costituita da natura-società-storia? È possibile che esista, allora, una poesia che è impegno nel più immediato, radicale, e pur quasi inconscio, “noncurante” dei modi, una poesia che abbia una connaturalità, una concrescenza con l’azione, pur conservando intatto il senso di una propria necessaria autonomia? Esiste una poesia che, pur incidendo sulla realtà più che come puro graffietto, o solletico, o sospiroso “voglio esserci anch’io”, si conservi tanto umile da non premiare né se stessa né la realtà in quanto presunte separate, e quindi non abbia paura del proprio nome? Questa quadratura del cerchio si è qualche volta verificata, anche se accertarne e misurarne la presenza resta sempre una scommessa. Nel caso di Danilo Dolci si è di fronte ad uno dei rari flussi (o geysers) di riuscita in questa direzione, pur scontate tutte le possibili intermittenze, i quasi obbligatori sbagli di sondaggio: Dolci opera dentro lo sfero, o meglio dentro la disseminazione di contiguità/continuità da nebulosa, in cui referenti significati significanti convivono urtandosi e innestandosi, in cui durezza maligna/benigna di cose e risorgività, eccedenza benigna/maligna di parole si trovano sulla stessa strada senza bruciarsela reciprocamente. Tutto questo sembra autorizzato da un violentissimo sentimento della “creaturalità” dell’esistente; per Dolci tutto ciò che esiste è “una” creatura, se non una creazione, creatura con tutte le sue po­tenzialità o deficienze, ma non mai priva della forza di generare creature, di rigenerarsi e riconoscersi in esse, nel loro infinito risarcirsi a vicenda. Questa creatura si dà quindi in tutte le sue loquele che sono anche bioritmi, nelle modificazioni di situazioni reali che sono omologhe e concarnali al loro aprirsi nel “detto”, in poesia, appunto. Poesia, prassi e “natura” ritornano ad essere una sola cosa: anche se forse tale reincontro (o mai avvenuta divisione) oggi non può non rischiare il sospetto di riguardare più ombre che corpi. Ma Dolci spiazza continuamente proprio questo sospetto. 

                                                                                                                                              Andrea Zanzotto, nella quarta di copertina 




     […] Danilo Dolci appartiene alla famiglia di coloro che ritengono il mondo aperto a integrazioni continue, ritengono anzi che esista più come progetto inesauribile di creazione che come “creato”. L’uomo con il suo lavoro ne è parte in ogni occasione, certo, mai però come quando impara “a immaginare e a realizzare nuovi sogni”, a “maturare l’utopia dell’omega”.
     Danilo intende con queste frasi, credo, il necessario complemento e perfezionamento creativo che all’uomo è affidato.
     La poesia, si è già detto, è là dentro nel vivo fuoco di quel crogiuolo, testimone e insieme promotrice di avvenimento, vale a dire di nuove evidenze e di sempre più numerose interrelazioni che dilatano l’ego, rompono la sua crosta di protezione, lo proiettano verso il tutto e l’unisono.
     A pagina 144 del volume citato Danilo usa a proposito della poesia la parola “creazione”: credo la usi non solo per quel che la poesia aggiunge alla vita e alla conoscenza ma anche per come riconduce e immette nel processo della creazione energie bloccate dall’inerzia e dalla soggezione, cristallizzate nella lettera e nella forma.
     Non farà meraviglia allora che Dolci ponga la poesia al centro della reciprocità, immaginando e attuando perfino una prassi multipla, una collaborazione, uno scambio, un concorso di contributi, da un motivo iniziale per scarti e variazioni verso un testo che per quanto sia talora splendidamente tagliato non ha mai l’aria di essere chiuso e definitivo.
     Da tutt’altri convincimenti il sogno surrealista della poesia fatta da tutti sembra in qualche misura prendere corpo in questo che per Danilo è anche un concreto disegno pedagogico. Quanto a me vedo anche il mio, magmatico, inversione tangibile e positiva.
     Si farebbe un torto a questa opera applicandole giudizi di qualità desunti da criteri poetici che ha inteso capovolgere. Proposta, variazione, correzione, integrazione, risposta convergono nel procedere del tema il quale cresce a misura che la poesia “si fa” mediante più interventi, attraverso più voci. Né la sua dinamica mette capo a una forma: se mai c’è la forma propria di questa dinamica, di questo “farsi”: una struttura idonea a catturare e a rimandare il mutamento, il trapasso, l’espandersi, il trasformarsi.
     Il poeta del Dio delle zecche inverte il procedimento di chi scrive, il quale è dal molteplice verso la scelta e la definizione esclusiva: e tiene se mai a moltiplicare lasciando aperta la via della variazione e del suo proliferare.
     Si potrebbero naturalmente fare citazioni indicative, si potrebbe anche segnalare il diapason specialmente alto di alcune parti ma è meglio non intaccare l’opinione, giusta, che questa opera sia indivisibile.
     Anche sul merito non si può tanto sottilizzare se è vero che essa in perfetta armonia con la visione unificante dell’uomo che l’ha concepita, conforma ad hoc le sue strutture, i suoi procedimenti, la sua lingua. Vorrei osservare se mai che tra le molte rivoluzioni copernicane che si sono autopredicate e bellamente date per fatte in questi anni, quella che in Danilo è maturata di necessità dal fondo della sua profferta e della sua concezione di nuovo umanesimo è la più coerente e la più motivata che io conosca. 

Mario Luzi, dalla Prefazione




Aldous Huxley [v. fotogallery di Biografie,“Huxley Aldous”, in “L’Unità – L’archivio 
storico. La memoria in rete”: http://archiviofoto.unita.it/]
Senza carità, la conoscenza tende a mancare di umanità; senza conoscenza, la carità è destinata sin troppo spesso all’impotenza. In una società come la nostra – i cui enormi numeri sono subordinati ad una tecnologia in continua espansione e pressoché onnipresente – ad un nuovo Gandhi o ad un moderno San Francesco non basta esser provvisto di compassione e serafica benevolenza. Gli occorrono una laurea in una delle discipline scientifiche e la conoscenza di una dozzina di studiosi di materie lontane dal proprio campo di specializzazione. È soltanto frequentando il mondo del cervello non meno del mondo del cuore che il santo del ventesimo secolo può sperare in una qualche efficacia.
Danilo Dolci è uno di questi moderni francescani con tanto di laurea. Nel suo caso la laurea è in architettura e ingegneria; ma questo nucleo centrale specialistico è immerso in un’atmosfera di cultura scientifica generale. Dolci sa di cosa parlano gli specialisti di altri campi, rispetta i loro metodi ed è desideroso, bramoso addirittura, di giovarsi dei loro consigli. Ma ciò che sa e ciò che può apprendere dagli altri e sempre per lui strumento di carità: in un quadro di riferimento le cui coordinate sono un incrollabile amore del prossimo e una fiducia e un rispetto non meno incrollabili nei confronti dell’oggetto di questo amore. L’amore lo stimola ad adoperare le proprie conoscenze a beneficio dei deboli e degli sfortunati; la fiducia e il rispetto lo portano a incoraggiare costantemente deboli e sfortunati ad aver fiducia in se stessi, lo spingono ad aiutarli ad aiutarsi da sé. [….] 

Aldous Huxley, dall’Introduzione al libro di Danilo Dolci “Inchiesta a Palermo”, Sellerio Editore, Palermo, 2013





1. 

(due voci nell’autunno)

Anche agli spini nella polvere 

sotto l’intenerirsi della scorza 
ansia preme di aprirsi 
a respirare umida luce 
quando ritorna il sole a intiepidire — 
su questa rossa terra pur l’ortica 
si imbianca di petali. 

Tronchi di gelso tendono moncherini 

rimozzi, 
           piaghe incancreniscono, 
la carie affonda e svuota: i nomi 
i cuori incisi nelle cortecce scagliose 
si sfanno in un turbine di polvere. 
Pure alla terra l’involucro tatuato 
dalla vita nostra, si disfa. 




Oltre le irte acacie 
frullano alti gridi controvento 
di invisibili allodole. 

Tra i filari le zolle cicatrizzano 

inverdendo di ciuffi mattutini. 




Quando anche il gelso indolcisce 
e vasta la messe squassa, nel secc
fruscio già striscia il levigato sibilo 
di una selce bagnata sul ferro. 

Anche le stelle 

biancazzurre di notte da lontano 
si animano di fuoco 
                          ma la mia pena 
è oltre ogni nebbia di galassie. 
Il nome che mi chiama non è il mio 
nessun nome è mio. 
Questo corpo che presto sazio e logoro temendo 
si aggruma stordito, 
non è il mio. 
Non sono nato ancora. 
Sto nascendo da sempre 
                               mentre muoio. 


                                                 [ da: La luce chiama l’ostia ]


                              ◊


So come soffri
dal ripiegarsi amaro del tuo labbro
quasi sdegnoso a volte, pur se tenti
di apparirmi serena:
quando sorridi per rassicurarmi 
il labbro non riesce a obbedirti
e io vi leggo.

Non so se nel rinchiuderti è il tuo male
o fatichi a salvarti dal non tuo —
e non so se suadere a aprirti, scioglierti
o rispettare il tuo segreto chiuso
lasciando maturarvi quanto duole. 



                             

  

A chi, parlare 
è gelido fiorire di cristalli 

o il lento scoppiare delle gemme 

presaghe già di frutto — 

e c’è chi confonde la bocca col culo. 


Le chiacchiere sono vermi. 


Se lasci scivolare in chissà quale domani 

quanto sei impegnato a insaldare — 
frani 
       e costringi i tuoi 
a lavorare su una frana. 



                              ◊ 



Nei paesi tanto ricchi di tecnica 

che puoi bere latte e ruttare petrolio 
tra scienziati così bravi a disintegrare, 

nei paesi tanto ricchi di democrazia 

che seppelliscono in lager chi sa distinguere 
violenza da amore, 

se chiedo a ognuno di voi

amici capelloni semplici 
o a voi, capelloni di lusso,
gli sprechi più assurdi nel vostro paese,
siete certi di sapere rispondere 
esattamente? 

se chiedo a ognuno di voi 

che sogna di cambiare la terra, 
come il mostro parassita si forma 
lì, proprio lì, ove esistete, 
siete certi di sapervi rispondere 
esattamente? 


                                                 [ da: Sopra questo frammento di galassia ]




                              


se ti miro, ti sento, forse  rimani tu

               o, se mi senti, altra divieni 

ma in me penetri: 

                           forse senza peso 
senza misura fecondi 
                                 o contrasti 

e altro divengo, 

                       diverso — 
                                       più tu 
o un io più scavato 
                             o lo sviluppo 
di me e di te 




gabbiano almeno un giorno — 

costa una vita un volo di gabbiano 
nato da un uovo di galassie di anni: 

non potendo, 

                     ti assimilo mirandoti 


                                                 [ da: Il dio delle zecche ] 







vince chi resiste alla nausea 

vince chi perde meno, 
chi non ha da perdere 

vince chi resiste alla tentazione di evadere, 
chi resiste tra le infinite tentazioni 
di suicidarsi 

vince chi cerca non smarrire 
il senso della direzione 

vince chi non si illude 


                                                 [ da: Maturare a bruciarsi ]
 






   
       
                  Insiste in spazi insanguinati 
                  fiorire di canti e crisantemi 
                  strido oscuro di pipistrelli: 
                  non il silenzio nutriente sveglia 
                  le creature — al rumore si svegliano 
                  al rumore che uccide. 


                                                 [ da: Creatura ]










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